Testes em sistemas de ancoragem

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Mas afinal qual a FORÇA que deve ser aplicada no TESTE PÓS INSTALAÇÃO de um ponto de ancoragem?

E se eu te falar que a resposta correta é: depende!

Quem define a FORÇA deste teste é o PLH (Profissional Legalmente Habilitado – ver glossário NR35) alinhado com as orientações do fabricante*, somente ele é que poderá avaliar diferentes situações e validar qual é a força correta e segura.

* caso o próprio PLH assuma por responsabilidade técnica o dispositivo de ancoragem dentro de um SPIQ, ele assuma a condição de fabricante.

Mas antes de seguir falando da FORÇA temos de diferenciar dois testes muito diferentes:

·       TESTE PÓS INTALAÇÃO (ensaio ou teste de carga de prova, um END – ensaio NÃO destrutivo), e;

·       TESTE DE SACRIFÍCIO (ensaio destrutivo, aquela ideia de riscar o palito de fósforo, testa uma vez só e “joga fora”).

É preciso compreender o que é cada um deste testes, qual sua real finalidade, sendo que são muito diferentes um do outro, inclusive na força a ser aplicada.

Neste artigo não vamos ter tempo ou informações para elucidar o todo e garantir a resposta definitiva para FORÇA correta de cada teste e sua finalidade, lembrando que testes são um detalhe dentro do todo do SPIQ. Quer se aprofundar sobre o tema? Sugiro a BS 7883 que é uma boa prática muito aceita, um guia específico, que teve sua primeira edição em 1997, foi atualizado em 2005 e de forma mais recente em 2019.


Mas e o que a 7883 diz sobre estes dois testes diferentes?

Ensaios de Carga de Prova (Anexo E) TESTE PÓS INSTALAÇÃO

Os testes de carga de prova são utilizados durante e/ou após a primeira instalação para verificar se as ancoragens estruturais estão instaladas corretamente no material de base e, na medida do possível, se o sistema de ancoragem foi corretamente montado para suportar adequadamente a carga de serviço.

Em inspeções subsequentes, os testes de carga de prova servem para verificar se os dispositivos de ancoragem, as ancoragens estruturais e o material de base não se deterioraram ou foram danificados desde a última inspeção e ainda são capazes de suportar a carga de serviço. Os testes de carga de prova devem ser realizados de acordo com as instruções do fabricante*. A BS7883 recomenda que o teste seja aplicado mantendo a carga por 1 min.

Os TESTE PÓS INSTALAÇÃO não fornecem, por exemplo:

a) verificação se a estrutura geral possui resistência e estabilidade estrutural suficientes para suportar as cargas de projeto (ver 5.2);

b) verificação das limitações estruturais (ver 8.1.2);

Os ensaios de carga de prova baseados em uma carga calculada podem exigir considerações especiais para garantir que a carga de prova correta seja aplicada e que nenhum elemento do dispositivo de ancoragem seja sobrecarregado durante o processo.

Ensaios Experimentais (Anexo D) TESTE DE SACRIFÍCIO

“Qualquer elemento de um sistema de ancoragem utilizado em um ensaio experimental (TESTE DE SACRIFÍCIO) deve ser removido do local para evitar sua utilização.”

Devem ser realizados ensaios/ TESTE DE SACRIFÍCIO nas ancoragens estruturais para determinar se a(s) ancoragem(ns) estrutural(is) utilizada(s) para fixar um dispositivo de ancoragem ao material de base no local suporta(m) a carga de projeto.

Os TESTE DE SACRIFÍCIO devem ser realizados sob condições estabelecidas por um PLH, de acordo com as informações fornecidas pelo fabricante, no mesmo tipo de material de base e o mais próximo possível do sistema de ancoragem proposto, mas suficientemente afastado para garantir que o sistema de ancoragem não seja afetado.

Devem ser realizados ensaios de tração estática no material de base, em condições onde a resistência desse material de base possa ser inferior à utilizada nos ensaios de tipo realizados de acordo com a norma NBR 16325.

Os TESTE DE SACRIFÍCIO devem ser realizados apenas em ancoragens estruturais de amostra especialmente instaladas e outros elementos que serão removidos ou desativados após os TESTE DE SACRIFÍCIO.

As estruturas de concreto geralmente têm resistência nominal que supera a carga do ensaio de tipo solicitada perante a NBR 16325 (tipo A carga estática de 12 kN). Portanto, os TESTE DE SACRIFÍCIO normalmente não são necessários, principalmente quando existe rastreabilidade e resistência conhecida do concreto. Mas podem haver condições em que uma estrutura de concreto tenha se deteriorado devido à exposição a condições extremas (por exemplo, estruturas a beira mar, exposição a produtos químicos) ou tenha histórico desconhecido e precise ser submetida a TESTE DE SACRIFÍCIO. Tal deterioração pode identificada na aparência visual da superfície do concreto, mas geralmente, isso é indicado pela perfuração do concreto de forma incomumente suave. A necessidade de TESTE DE SACRIFÍCIO pode, portanto, ser identificada pelos instaladores durante a instalação de um projeto.

A carga do TESTE DE SACRIFÍCIO, que pode precisar ser calculada (ver Anexo D), é baseada na carga de projeto (ver Anexos A, B e C) e deve ser mantida por um mínimo de 3 minutos sem falhas para que o sistema de ancoragem seja considerado aprovado no teste. No caso de blocos de alvenaria, as cargas de reação no teste devem ser direcionadas para os blocos de alvenaria adjacentes, a fim de garantir que a junta de argamassa também seja testada.

Após a conclusão do TESTE DE SACRIFÍCIO, e independentemente do resultado, os elementos removíveis, por exemplo, pontos de ancoragem, devem ser removidos e os furos preenchidos. Se alguma ancoragem estrutural ou outro elemento não passar no teste de ensaio, um tipo alternativo de sistema de ancoragem deve ser selecionado e testado por meio de uma nova série de TESTE DE SACRIFÍCIO ou o sistema de ancoragem deve ser reprojetado.


CONCLUSÃO

TESTE PÓS INSTALAÇÃO – a força para este teste, quando aplicável, deve ser definida pelo PLH alinhado com o fabricante*. A FORÇA utilizada, se possível, deve ser a CARGA DE SERVIÇO. Em sendo aprovado o sistema de ancoragem este poderá vir a ser liberado para uso.

TESTE DE SACRIFÍCIO – a força para este teste, quando aplicável, deve ser definida pelo PLH alinhado com o fabricante*. A FORÇA utilizada deve ser a do ensaio estático de tipo conforme a NBR 16325 alinhada a CARGA DE PROJETO. Em sendo aprovado ou reprovado, a ancoragem estrutural deve obrigatoriamente ser removido.

Não existe regra pronta, não podemos assumir uma força X ou Y como definitiva, é preciso entender cada condição de teste, e apenas de posse das informações é possível seguir de forma segura. São testes diferentes para finalidades diferentes que quando feitos de forma equivocada geram grande risco a vida do usuário.

IMPORTANTE este artigo foi elaborado para um sistema de ancoragem que contempla um dispositivo de ancoragem do tipo A. Para um ponto de fixação de extremidade de um dispositivo de ancoragem do tipo C (linha de vida horizontal flexível) as cargas de projeto e de serviço (trabalho) são muito mais elevadas e devem sempre determinadas.

Nossa recomendação é para buscar um especialista que conheça a especificidade do tema e possa seguir ou se justificar perante a boa prática da BS7883.

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