Crédito da imagem acima: https://www.e3s-conferences.org/articles/e3sconf/pdf/2023/94/e3sconf_fci2023_02033.pdf
Evolução pede por informação
Dois assuntos que trabalhei nos últimos dias acabaram se cruzando e gerando boas expectativas pela prevenção que compartilho neste artigo.
#MAPAdoSPQ
Primeiro; o MAPA do SPQ (inventário do SPQ) vem como ferramenta #CEPA (Centro de Estudos Proteção em Altura) qualificando seus sistemas de proteção em uso. Este fornece um inventário dos sistemas utilizados (SPIQ e SPCQ), apresentando um indicador com maior ou menor risco de sua atividade que caracteriza a #NR35. Apenas conhecendo a informação é que podemos nos desafiar em atuar de forma mais segura, justificar investimentos para produtividade em altura, investimentos para evitar o trabalho em altura. Veja mais detalhes sobre o MAPA do SPQ em: https://cepaltura.com.br/2025/05/29/diagnose-ppa/
E aí me veio a pergunta: quais são os SPCQ que temos para NR35? Para retenção de queda temos a rede que começa a ser mais utilizada, graças a evolução da #NR18
E para restrição de movimentação, qual seria o SPCQ? Guarda corpo? Se temos este bem projetado e bem implementado temos praticamente um #evitar o trabalho em altura (#LETA). Ai vi vantagem! Em um inventário feito junto a uma atualização ou mesmo em um projeto novo, podemos isolar bem o que caracteriza NR35 e o que evita o risco de queda com diferença de nível! Precisamos de mais projetos com proteção coletiva efetiva.
E além do guarda corpo o que teríamos de SPCQ de retenção ou restrição? Destacando a mais importante que nunca – hierarquia das medidas protetoras onde se temos que um sistema de retenção de queda não vai impedir a queda, mas irá #minimizar as consequências de uma queda.
#GAIOLAcomoSPCQ
A gaiola do cabeçalho deste artigo pode ser tida como um SPCQ? Este o segundo ponto que fez parte de meus estudos nos últimos dias. Este tema já me acompanha em pesquisas a vários anos, neste período aprendi muito com um artigo que recomendo a leitura, este mostra que a gaiola não retém uma queda, que a gaiola não é um SPCQ – vide estudos da HSE RR258.
Já defendi a gaiola como não sendo um SPCQ pelo crítico que é imaginar uma queda dentro desta e pensar nas consequências! Mas normas técnicas e culturas mundo a fora seguem aceitando a gaiola como um sistema de proteção contra queda. Existe alguma forma de a gaiola ser tida como um SPCQ?
Para tentar entender melhor as condições encontradas com a gaiola trago temas de outras realidades que podem somar na busca de melhor entendimento. Vamos nos afastar da gaiola na indústria e conhecer um pouco do desafio de lidar com a queda em outros cenários.
#parquinhoINFANTIL
Você tem filho pequeno? Já deixou ele se divertir em brinquedos com redes, escorregadores, patamares, onde você olha para o lado e ao voltar o olhar ele está lá a 10m de altura dentro de um labirinto! Lá vai ele pelo zig-zag com altura de uma possível queda sendo bem limitada, entre os patamares de acesso. Já o pai e mãe dele também sobem por labirintos, mas qual a altura segura para queda dentro destes labirintos da indústria? #Resgate é fator inseparável e relevante que precisa ser amparado, mas não será abordado neste artigo!

Existem normas (ainda não muito presentes no Brasil) que balizam a segurança de crianças em parquinhos. Vejamos um exemplo: “EN 1176 parte 10 – Segurança de equipamentos de recreação totalmente fechados. Os requisitos de segurança são fornecidos para: Procedimentos de emergência, segurança contra incêndio, evacuação, resistência estrutural, proteção contra impactos, possibilidade de escalada externa, visibilidade, conexões, cordas, sinalização, escorregadores de queda, brinquedos suspensos, piscinas de bolinhas, sistema elétrico.” Será que algo nesta linha para a segurança na indústria aqui no Brasil seria importante?
#escalada #esporte
Amo a escalada técnica, ela que originou minha profissão, tenho claro de que a performance do esporte soma em tecnologias que chegam à indústria do trabalho em altura. Indo diretamente a correlação que quero fazer, a escalada possui graus de dificuldade para suas rotas/vias, o atleta sabe qual nível está preparado para “enfrentar”. No meu caso gosto do quinto grau (estou treinado para este), já o sexto grau hummm, se for bem protegido posso subir, meus amigos mais fortes fazem oitavo, nono grau… Quarto grau é mais fácil, terceiro grau talvez eu suba sem corda, segundo bem tranquilo. E primeiro grau? Uma boa escada seria um primeiro grau?
Não devemos comparar diretamente o esporte “CPF” com o trabalho “CNPJ”, mas sim a escalada de uma escada pode ser considerada como um primeiro grau, o mais fácil. Mas existem agravantes que podem deixar este primeiro grau de escalada mais difícil, como: vento, local muito exposto, humidade (estrutura fica lisa), cansaço, forma física, condições psicológicas. A soma destes fatores pode transformar um primeiro grau de dificuldade/exposição em um terceiro grau! Lembra do parquinho infantil? O pai da criança não vai ter a escolha de ir ou não, afinal o #PGR dele prevê a escada e gaiola como razoavelmente aceitável. Mas a gaiola é ou não um #SPCQ?
#alturaSEGURA
A gaiola é aceita como proteção contra queda por normas técnicas que trazem uma altura para específica para isto. Por exemplo, a legislação dos EUA (OSHA) quer o fim das escadas com gaiolas até 2036, mas com o detalhe que se a escada tiver até 7,3m a gaiola pode permanecer e atuar como um SPCQ. 7,3m é o equivalente a estar em pé no telhado de uma casa de 2 andares, e cair por dentro da gaiola. Teoria e prática mostram impossível de se “agarrar” na gaiola, ou seja, a queda desta altura, se algo passar, vai acontecer.

Indo ao outro extremo, a gaiola não vai deixar de existir, e se for segura como no parquinho infantil de forma que “nossos filhos nos autorizem a seguir pelo labirinto”, a gaiola pode seguir sendo uma alternativa de acesso! A NR35 possui o requisito de proteção acima de 2m, para a segurança no projeto este parâmetro junto a gaiola seria um ideal para um “labirinto” onde a segurança pode ser tida como razoavelmente aceitável. Outro ponto positivo em se tendo a gaiola com SPCQ até 2m é a viabilidade de uma comparação mais real com formas mais seguras de acesso, por exemplo uma escada com corrimão, descaracterizando a NR35 não seria um investimento de valor tão diferente.
#segurançaNOprojeto
Muitos aspectos entram aqui – mas a função da NR35 é de gerar prevenção em longo prazo. O imediatismo de construir algo “barato”, mesmo que pouco funcional e oneroso em médio prazo (duração curta), infelizmente é o mais aceito em nosso país. A tendência para a NR35 de requisitar condições mais seguras pode sim mudar a cultura de se pensar na escada com gaiola por ser a solução mais “barata”. Vale reforçar os benefícios que uma cultura sem ter a gaiola como primeira alternativa (ela será a última), pode melhorar: facilidade de gestão, maior produtividade, melhor ergonomia, mais durabilidade, segurança efetiva no projeto dentre outros.
#voltandoAaltura
Outras regulamentações e normas técnicas falam em 4,5m, 5m e 6m. Qual seria a altura que você gostaria para minimizar as consequências de uma queda de seus colaboradores? Qual altura estaria dentro do razoavelmente aceitável: 2m, 3.5m, 4.5m, 5m, 6m, ou 7,3m? Se conseguimos que seja seguida corretamente uma saudável hierarquia a ser proposta pela NR35, para se justificar uma escada com gaiola o desafio será grande, onde uma altura próxima aos 2m será com certeza alternativa mais viável ao razoavelmente aceitável.
#TEMPOdeEXPOSIÇÃO
Como informação, participei de um inventário para a indústria, analisando uma planta com quase 1000 escadas. Muito valioso estudo e conhecimento adquirido sobre o tema. Indo direto ao tempo, através de uma amostragem chegamos em 15.000 horas ano de exposição. Intenção era comparar tempo para acesso solto com o SPIQ que é mais lento. Ao se fazer os levantamentos foi possível observar que poucas escadas concentravam mais de 80% do tempo de exposição ao risco de queda, com a informação ficou claro que uma evolução efetiva não precisaria atender as 1000 escadas para acontecer.
#NívelInferior

O que corrobora com o uso da gaiola são os múltiplos lances de uma planta industrial com pouco espaço disponível. A praticidade de se subir sem o uso do SPIQ pelas gaiolas é um diferencial, mas como visto anteriormente qual a altura das escadas? Importante destacar aqui que a altura da escada se soma ao risco adicional de queda a um nível inferior (ponto mais baixo que deve incluir a possibilidade de queda para um nível inferior a base da escada). O enclausurar condições que exponham o risco de queda por sobre um guarda corpo, no acesso e saída de escadas fixas verticais esta proteção deve ser efetiva para a altura da escada e também a possível risco adicional de queda a um nível inferior.
#SPIQcomGAIOLA
Pode ser tema de um artigo futuro, sim existem tecnologias seguras para esta condição e outras nem tanto. Estamos trabalhando continuamente por soluções, especialmente pela #NBR14627:2024 de travaqueda deslizante incluindo sua linha rígida. Devido à falta de laboratório a exigência de atendimento a nova versão da norma ficou para abril de 2026. Queremos oferecer conformidade com o requisito de segurança para os fabricantes de trava queda antes desta data e desta forma alternativas cada vez mais efetivas para minimizar as consequências da queda com SPIQ dentro da gaiola.
A retirada das gaiolas para maior efetividade do SPIQ não vem sendo feita em outros países, a reavaliação da analise de risco sim está sendo uma colocação recorrente, visando garantir uma condição mais segura.

#concluindo
Se formos pelo caminho de segurança no projeto atendendo a uma hierarquia ao meio de acesso, estaremos todos evoluindo. O justificar e fundamentar adoção de meios de acesso menos seguros se faz necessário.
O tema é bastante vasto, o artigo não tem a intenção de trazer todas as respostas, muito pelo contrário ele quer ouvir sua opinião o que achou e sobre o que está faltando abordar!


